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A escultura leve, crítica e intelectual de Xana

4 de Julho de 2019 by olinda de freitas

Permanente leveza e insistente sentido crítico e intelectual

Assim é Xana. Xana é o nome do artista que, usando objectos de produção maciça – trabalhados em materiais baratos que se impõem pelo excesso de cor -, manuseia temas e formas usados pelas estratégias da sociedade de consumo e da linguagem popular para exaltar os valores lúdicos da produção industrial – ou, também acontece, para questionar a sua banalização.

A arte de Xana

a arte de xanaFonte: http://img.rtp.pt/

Inesperados objectos tornam-se em material passível de ser esculpido: caixas de armazenamento industrial passam a substituir tijolos e com eles as mãos do artista constroem uma casa pré-fabricada, por exemplo – uma escultura que tanto pode ser uma maqueta como um modelo utópico de uma solução para habitações baratas. Ou então, quando inserida num jardim público, passa a ser um projecto de divertimento, leve e solto, sem que as preocupações sociais tenham de ser objectivadas e explicadas.

Na segunda metade da década de oitenta, Xana desenvolveu uma actividade artística objectualista, onde situa o desenho e a cor na tridimensionalidade – objectos coloridos que se apresentam como gigantescos brinquedos, sem qualquer função utilitária. São objectos estáticos, arquitectados como meras junções de volumes elementares. As superfícies, planas ou curvas, assumem variadamente a picturalidade, em escalas de grandeza diversa. As cores vivas aparecem em formas semi regulares e a espiral é uma linha frequente, com um poder de organização dinâmica, extensão infinita, virtual centro hipnotizante. E Xana apropriava-se, assim, dos efeitos de transparência que nos anos oitenta surgiram com força óptica tanto nas texturas da bad painting figurativa como da pattern painting abstracta: o movimento do corpo do observador a facilitar o encontro instintivo dos jogos cromáticos que, em planos destacados ou em superfícies contínuas, qualificam o espaço real.

Xana trabalha, frequentemente, a partir de objectos de plástico disponíveis no mercado: alguidares, pratos, taças, são escolhidos a olho e a dedo pelas suas cores garridas e colocados, distribuídos, de acordo com uma estratégia de serialização e acumulação a que o humor e a ironia não são alheios – impondo-se pelo impacte visual. Mas estes objectos são também pinturas, as pinturas que são esculturas, as pinturas que são esculturas e leves, porém profundas – sátiras. É assim a obra de Xana, definindo-se pela cor e pelo carácter lúdico e despreocupado que artista e homem carregam.

Um pouco mais sobre Xana

O nome de nascença de Xana é Alexandre Nuno Serrão Fialho Alves Barata, vive em Lagos, e nasceu em Lisboa. Formou-se pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa em 1984. No ano anterior formou, com um grupo de alunos dessa instituição (Manuel João Vieira, Pedro Proença, Pedro Portugal, a que se juntou Fernando Brito, em 1986), o grupo Homeostética (entre 1983 e 1986).

Mas, em 1984, Xana abalou para o Algarve fixando-se em Lagos – onde ficou até hoje.

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Lisboa a Brilhar Mais com Vera World Fine Art Festival

6 de Junho de 2019 by olinda de freitas

O Vera World Fine Art Festival, arte que vai desde a pintura a óleo aos quadros que brilham sob a luz negra a óleo aos quadros que brilham sob a luz negra, está presente em Lisboa para ser bebido. Esta é uma informação adiantada por aquele que foi considerado o melhor site do ano: Observador.

Oitava edição escolheu Portugal para a sua primeira internacionalização: Vera World Fine Art Festival

São 3.750 metros quadrados da Cordoaria Nacional carregados de arte que até ao dia 21 de Setembro oferecem pintura, escultura, fotografia, artes gráficas, museologia e artes aplicadas – uma arte passível de ser apreciada e comprada. É escolher por entre os cerca de 80 artistas portugueses e estrangeiros. Obras como as de Luís Noronha da Costa, que leva ao festival VERA peças desde os anos 70 até à actualidade, entre as quais pinturas a óleo sobre tela, estão expostas e a aguardar visitas.

A escolha de Portugal para a primeira internacionalização, nesta oitava edição, deve-se à proximidade de Andrey Kiselev com Portugal, já que o presidente da WWB faz por cá grandes negócios e no ano passado concorreu à subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

Com um preço simbólico de seis euros o Vera World Fine Art Festival tem um programa complementar, um verdadeiro miminho, para além da vertente de exposição e venda, programa que inclui palestras, conferências, masterclasses e mesas-redondas. Trata-se de “um evento cultural de grande importância para Lisboa”, por não se destinar apenas a entendidos em arte contemporânea: todos os cidadãos podem, e devem, participar.

Portugal, Bielorrussía e Azerbaijão com força no Vera World Fine Art Festival

Directamente da Bielorrússia até Lisboa, para a sua estreia no festival, chegou a artista Anna Karan. E não chegou por cunha mas porque se candidatou: para além de vender os seus quadros de paisagens cheias de cor, ou eventualmente ser distinguida pelo júri, chegou para “encontrar pessoas simpáticas, ver boa arte e ganhar visibilidade”.

Sandra Baía não ficou de fora e pode ser apreciada na sua arte em um dos stands que mais se distingue entre os 3.750 metros quadrados da Cordoaria Nacional. Conforme explica a pintora autodidacta, “Não sou muito adepta da coerência no meu trabalho e trouxe ao VERA uma coisa mais pop”.

Há, no entanto, um espaço que se distingue mais do que todos os outros – já que todos os quadros brilham sob a luz negra: trata-se de Alakbarov Farid Kamal, artista do Azerbaijão que usa uma tinta especial que é invisível à luz do dia. “Chamo-lhe pintura de néon e é uma tendência que só tem 10 anos”, referiu o artista tem de pintar sob lâmpadas ultravioleta para ver o que está a fazer – uma espécie de magia.

Mais informação sobre o Vera World Fine Art Festival e respectiva atribuição de prémios poderá ser acedida neste site.

Fonte da imagem

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O enigmático mundo, grande influência literária, de Rui Chafes

6 de Abril de 2019 by olinda de freitas

Rui Chafes, o artistaRui Chafes, obras enigmáticas

Obrigando-nos a uma interrogação sobre o que somos e o modo como nos relacionamos com o que nos rodeia, assim são os temas e as formas que Rui Chafes faz colar a nossa realidade – ora a um tempo ancestral, ora a um diverso e próximo universo. 

Misteriosas, as obras de Rui Chafes são, muitas vezes, expostas em jardins românticos (Sintra), palácios e igrejas, expressando-se num território suspenso no tempo, numa paisagem que apela para uma outra ordem e condição do objecto criado, entre o caos e o rigor da revelação, entre o interior e o exterior da existência, irracional, individual e transcendental.

Num texto de 1998, “Talvez”, Rui Chafes conta-nos sobre a sua vocação: «Sendo escultor e tendo nascido em 1966 (o ano de Andrej Rubliov, de Andrej Tarkowsky e de Au Hasard Balthazar, de Robert Bresson), vivo com a consciência de que é preciso continuar a transportar a chama, tal como queria Joseph Beuys que, no ano anterior, se tinha sentado, durante três horas, a ensinar a uma lebre morta como se olham as imagens.»

Origens

Rui Chafes nasceu em Cascais e é lá que produz as suas obras. 

Entre 1990 e 1992, estudou com Gerhard Merz, na Kunstakademie Düsseldorf, altura em que aprofunda um extenso e relevante conjunto de referências teóricas, literárias e artísticas – romantismo alemão, Idade Média e Gótico Tardio – teorias que estruturam, em grande parte, a actividade e os interesses deste artista: a luz, a cor, o peso, a leveza e o equilíbrio das formas, na sua relação com a natureza, com o espaço circundante e com o Homem.

Durante a estadia alemã, traduziu Fragmentos, de Novalis, numa edição a que acrescenta desenhos seus. Algumas da exposições que realizou em diferentes instituições são acompanhadas pela edição de livros, pensados enquanto tal, onde faz publicar textos seus e de outros autores que possibilitam um entendimento daquilo que para o artista deve ser a arte e a praticabilidade da arte, imensamente redentora, catalizadora de pensamento.

A obra

Usando, como sempre, o ferro pintado de negro, o artista vai criando modelos orgânicos de memória imediata – tanto mais inquietantes quanto a sua escala gigantesca. A couraça, por exemplo, é uma memória, o resto de uma vida perdida, ou esconderá um animal ameaçador, obrado sobre si mesmo, quase escondido entre árvores e canaviais do jardim, ficando o enigma: é ele quem nos coloca em perigo ou somos nós quem o ameaça? 

O seu percurso conta com importantes exposições em instituições nacionais e internacionais e as suas obras integram os mais relevantes acervos públicos e privados. Igualmente na sua actividade editorial, Rui Chafes dá-nos material de reflexão: Harmonia; Durante o Fim, Um Sopro e O Silêncio, são exemplos da sua experiência. Representou Portugal na Bienal de Veneza (juntamente com José Pedro Croft e Pedro Cabrita Reis) e em 2004 esteve presente na Bienal de S.Paulo num projecto em colaboração com Vera Mantero, Comer o Coração.

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Alberto Carneiro – entre a arte e o tempo, sempre o momento

20 de Dezembro de 2018 by olinda de freitas

Quem é Alberto Carneiro?

Alberto Carneiro é um artista do Coronado, onde vive e trabalha. É um homem antigo, não por ter 77 anos, pela profundidade da relação que vai estabelecendo entre natureza, cultura, pensamento e acção: trabalha temas cujos modelos se encontram enraizados em ancestrais soluções de representação, quer do Ocidente quer do Oriente. O modo como escolhe e usa os materiais – e também como define e articula as formas – faz dele um homem antigo com um artista por dentro.

Em um momento, entre tantos, retoma uma das figuras mais recorrentes e simbólicas da sua obra: a mandala, onde todos os elementos são dispostos simetricamente em raios e circunferências concêntricas, discursando sobre as realidades básicas do mundo, que se inscrevem nas pedras graníticas em palavras e aforismos como arte, vida, água, ar, fogo e terra ou se erguem colunas encimadas por galhos ou ramos. Os pontos cardiais, norte, sul, leste e oeste, compõem o discurso da centralidade – transmitindo uma energia universal.

Ele e a arteAlberto Carneiro, o homem-escultor

“Eu e a arte não sabemos ao certo quem somos mas temos a certeza de sermos um do outro e isto é tudo de que precisamos para a vida.” Diz, linguagem de amor, Alberto Carneiro já que toda a produção artística do escultor se confunde com a sua própria vida e com as reminiscências do meio onde nasceu e cresceu e se descobriu como artista e criador.

Para Alberto Carneiro, cada exposição é um manifesto cuja ideia central é a demonstração de que a arte é o artista e também o espectador. Estou a lembrar-me daquela ideia tornada matéria a partir de raízes e troncos de laranjeiras, oliveiras, bambus e vides, sempre acompanhadas de vidros ou espelhos com textos que, para além de realçarem a importância da palavra na obra de Alberto Carneiro, envolvem o espectador através do seu reflexo: o “teu ser imaginante”. As obras são assumidas como “momentos”, reiterando o facto do percurso do espectador ocorrer não só no espaço como também no tempo.

Alberto Carneiro espalhado – e espalhando-se em Portugal

São várias as cidades portuguesas que exibem as obras públicas do homem-escultor. Em 1991, Santo Tirso recebeu “Água sobre a terra, granito e água” e “O barco, a lua e a montanha”. (Alberto Carneiro foi o grande impulsionador da criação do Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso (MIEC), do qual é director artístico nacional. Criado oficialmente a 20 de Outubro de 1996, o Museu tem por base o espólio recebido dos simpósios internacionais de escultura contemporânea ao ar livre, realizados em Santo Tirso desde 1991).

Para as “Jornadas de Arte Contemporânea do Porto”, de 1992, realizou a instalação “Uma árvore é uma obra de arte quando recriada em si mesma como um conceito para ser metáfora”; para a inauguração do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no ano de 1993, projectou a instalação “Nas margens de um rio”, usando árvores de água e transparências de vidro; e, para a sede da Associação dos Arquitectos do Porto, produziu a escultura em granito “Sobre a água”. Fez também esculturas para o Metropolitano de Lisboa (“Sobre as Árvores”, esculturas em bronze, datadas de 1995-1996), para a Expo 98″ (“Sobre o mar”, escultura em granito e madeira datada de 1997-1998), para a Biblioteca Almeida Garrett, no Porto (“A árvore da vida”, escultura de madeira instalada em 2001), para Chaves, um bronze, para os Jardins de Casa de Serralves (“Ser Árvore e Arte”, inaugurada em 2002) Em 2002 iniciou a instalação do Parque Internacional de Escultura Contemporânea na vila de Carrazeda de Ansiães, para onde esculpiu uma obra que pontifica no jardim da Biblioteca local.

e no mundo?

Além fronteira, também se encontram esculturas da autoria de Alberto Carneiro: “The Stone Garden”, no Derwenthaugh Park, em Gateshead, Inglaterra; uma escultura com árvores, pedras, terra e relva no parque Metropolitano de Quito, Equador; uma escultura no parque Sculpture in Woodland em Devil”s Glen, Ashford, Wicklow, Irlanda; uma escultura na Aldeia Folclórica Coreana, Coreia do Sul; o espaço/escultura “A casa da terra e do fogo” no caminho das esculturas do vale de Ordino, Andorra; uma escultura na cidade de Taoyuan, na Ilha Formosa; a escultura “As árvores florescem em Huesca”, Espanha; e uma escultura em Santiago do Chile.

Ao homem- escultor Alberto Carneiro foram atribuídos variados prémios e distinções. Mas isso não me interessa nada.

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