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Três elementos básicos de uma obra de arte: Ponto, cor e estrutura

25 de Abril de 2019 by Patrícia Alexandra Aboim Rodrigues

elementos - corA matéria prima de uma obra de arte, ou de um produto artístico, é o contributo de quem o elabora mais os elementos formais que nela se apresentam.

Existem vários elementos formais, vamos aqui falar dos 3 principais que são analisados numa sessão de arte-terapia.

Elementos da obra

Poderemos considerar, primariamente, o ponto como o primeiro elemento da obra, pois este é simples, sem dimensões e sem estrutura específica. No fundo qualquer obra é um conjunto de pontos. O ponto inicia e finaliza uma obra.

Na descoberta consciente deste elemento surge o Pontilhismo, em finais do séc.XIX – com o impressionismo, onde se explora a repetição, o aglomerado de pontos que oferecem forma à obra conjuntamente com a perspectiva e o jogo cromático que podemos realizar.

Nesta sequência surge um novo elemento que, não é mais do que o ponto em movimento, conferindo assim dinamismo à obra, a linha. Esta pode definir limites e emoções. Como a linha não existe na Natureza, vem mostrar a capacidade de abstracção de que o ser humano é dotado. Picasso revela essa capacidade quando realiza trabalhos de uma linha só, que ganham vida nos entrelaçados e no seu movimento. A linha imprime ritmo na obra e ajuda no fluir das emoções que, transpostas na obra, ganham limites e um espaço de contenção.

Outro elemento presente nas obras de arte é a cor, esta que se reflecte como uma percepção visual que pode criar texturas, perspectivas, contrastes de luz (com a utilização de focos de luz). Vários trabalhos de arte moderna exploram este elemento, tal como os impressionistas que tentam representar todas as luminosidades naturais. Na arte barroca utilizam-se os contrastes para realçar os objectos, os fauvistas minimizam nas formas – utilizando formas simples – para explorar a força da cor.

A cor é indissociável do elemento luz, pois é no espectro luminoso que as variações da cor surgem. Podem surgir manchas, gotas, borrões, perspetivas, preenchimentos.

A interpretação da cor não depende apenas da perceção mas de todo um contexto cultural que envolve a obra e o momento histórico-geográfico da interpretação. Por exemplo, em determinadas culturas a cor do luto é o preto e noutras o branco, ora esta total oponência de conceitos é determinante aquando da análise de uma obra de arte.

A estrutura é revelada pelas simetrias, ou assimetrias, e nasce a pare da perspectiva. Permite a redefinição de um espaço tridimensional num material bidimensional, oferece profundidade à obra e preenchimentos dos espaços entre o longe e o perto, criando assim a distância eficaz entre os vários componentes da obra.

A estrutura diz respeito à colocação espacial dos elementos na obra, que os demarca mais ou menos e, portanto, tendem a ganhar maior ou menor importância na obra.

Estes elementos ganham especial destaque numa sessão de arte-terapia analítica e também na vivencial, caso o interveniente traga estes aspetos para a sessão.

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Filed Under: Artes e Design Tagged With: area de artes, arte-terapia, cor, desenho, elementos da obra, ensino de artes e design, estrutura, ponto, psicologia

A psicologia da cor: um arco-íris de emoção

30 de Dezembro de 2018 by olinda de freitas

a corO que é a cor?

Saber de cor a cor dos seus olhos sem nunca os ter visto é baptizar-se, baptizando-o, de luz – a cor é um banho sagrado de pureza perante a realidade ofuscada pela noite. Não quer saber de prosa poética, pois, não? Interessa-se mais por definições objectivas e concretas como esta.

Pois bem, a cor nada mais é do que aquela sensação provocada pela luz sobre os nossos olhos. Sem existência material, só nos é possível perceber a cor perante a luz.

A influência psicológica

Se umas são estimulantes, outras apelam ao optimismo; também há cores alegres e outras serenas. Mas todas elas interferem psicologicamente nas pessoas: a cor atrai a atenção e prende a visão de acordo com o seu grau de visibilidade.

Esta, por seu turno, depende fortemente do contraste e da pureza da cor – o repouso, por exemplo, exige cores suaves.

O preto, o branco, o cinzento – as cores neutras

O preto age como estimulante para as outras cores, por um lado, e possui harmonia com todas elas por outro.

Apesar da conotação emocional negativa que lhe atribuem – nomeadamente medo, vazio, morte, terror – o preto possui igualmente o simbolismo da noite, formalidade, poder, mistério, fantasia, sofisticação e luxo.

O branco é aquela cor leve da paz, pureza, neve, frio; enquanto que o cinzento é a que reduz as conotações emocionais: combina bem com todas as outras, outras que perante um bom cinzento escuro abrem-se no seu máximo colorido.

O cinzento é uma cor empresarial, clássica, prática, intemporal. Outras cores neutras, não tão vulgarmente referidas como as anteriores, são o bege melancólico e brando e o castanho masculino e estável.

As cores quentes

Dentro deste conjunto de cores (vermelho, amarelo, rosa e laranja) é o vermelho que tem o maior impacto visual, em muito devido à sua associação ao sangue e ao fogo da guerra. É, portanto, uma cor dominante, agressiva e muito apelativa. Entre o vermelho puro e o escuro vai a distância da paixão ao vigor ou da sensualidade à elegância ou da intensidade ao requinte. Todas as cores quentes nos sugerem calor.

As cores frias

O azul, o verde e o lilás lembram-nos cenários frios: o mar e o céu profundos e imensos. O azul é a cor mais tranquila de todas e tem esse efeito relaxante e tranquilizante nas pessoas. Uma curiosidade: esta cor é bastante usada nas bandeiras nacionais por conta do desejo de estabilidade e unidade das nações.

O verde, intimamente ligado à natureza, é associado à estabilidade de uma plantação e isso remete-nos a todos, verde ao peito, para a segurança. Encantados ficamos com o lilás. E com ele vamos para uma doce nostalgia.

O uso das cores, apesar da associação psicológica inerente, arco-íris de emoção, é uma questão de mera experiência pessoal e de senso estético.

Deixo-vos uma sugestão de leitura.

Filed Under: Artes e Design Tagged With: area de artes, azul, beje, branco, castanho, cinzento, cor, desenho, emoção, ensino de artes e design, lilás, preto, psicologia, psicologia das cores, verde, vermelho

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