Ryan Adams e a má educação do público dos smartphones


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O lugar dos smartphones na música ao vivo

Os smartphones são uma presença constante no quotidiano, e não há quem não deseje captar aquele “momento especial” durante a actuação do seu artista favorito, mas há quem comece a pensar que se ultrapassaram todos os limites de cordialidade. Ryan Adams protagonizou o mais recente caso de problemas com smartphones, quando teve de interromper um concerto para advertir um fã do incómodo que lhe estava a causar o flash do seu telemóvel. A notícia surgiu no site de fotografia Petapixel.

Ryan Adams não estava a ser impertinente. O músico sofre de Doença de Ménière, ou hidropsia coclear, um distúrbio no ouvido interno que pode causar problemas de audição, náuseas e desequilíbrio.

Estímulos como luzes interminentes podem facilmente desencadear um episódio e foi precisamente isso que aconteceu. Ryan Adams só tinha duas opções: ou intervir, ou deixar-se incomodar até perder o equilíbrio ou vomitar, algo que faria bastante mais furor nas redes sociais.

E os casos repetem-se. Corey Taylor, dos Americanos Slipknot, declarou já por diversas vezes que despejará água em cima de quem quer que veja a utilizar smartphones nos seus concertos. 

Portugal não é alheio à loucura dos smartphones em concertos. Podemos recuar até ao Optimus Alive, onde estive como repórter, e invocar o momento em que os The Lumineers apelaram aos presentes para baixarem os telemóveis, com um pedido simples “queremos estar convosco”.

Foi pedido repetido antes e depois por outras bandas, e na sua maioria perfeitamente ignorados. Na fotografia de eventos captar uma fotografia do público com telemóveis já se tornou quase obrigatório para qualquer fotógrafo de eventos.

A verdade é que se compreendemos porque se levantam os telemóveis – afinal têm câmaras para alguma razão – também é preciso entender que para quem está em palco e mesmo para o público, ultrapassam-se limites de sensatez que podem arruinar uma experiência. 

O que significam os smartphones para os artistas, afinal?

Até há pouco tempo atrás, os smartphones eram uma presença bastante discreta nos concertos, mas à medida que estes aparelhos móveis ganharam capacidades de captura de imagem e vídeo, a par com a exposição fácil garantida por serviços como Youtube e Facebook, cada vez mais olhos se focaram nos pequenos ecrãs e menos no palco.smartphones

Para quem está no palco, a mudança não é para melhor. Os artistas são extremamente protectores da sua imagem, da qualidade do seu espectáculo, e a proliferação de imagens não autorizadas banaliza-os. Quando não os humilha pura e simplesmente, apanhando os seus faux pas e transformando-os no escândalo da semana.

Mas acima de tudo, um número crescente de músicos olha para o público à sua frente e sente que ninguém o está a ouvir. Cada vez mais pessoas estão nos concertos para tirarem um selfie a dizer “estive aqui”, e cada vez menos lá vão para verdadeiramente usufruir do evento. Para quem está ali no palco, isto equivale a sentirem-se francamente ignorados, meros adereços para servirem de pano de fundo para a próxima foto das redes sociais. Perante a capacidade destas de nos garantir os almejados 5 minutos de fama, um número crescente de pessoas na plateia espera obtê-los à custa da qualidade do espectáculo.

Porque sejamos francos: toda a gente de smartphones na mão é francamente rude, não acham?

Se para o artista são as luzes que distraem e perturbam, para nós, no público, pode ser bem pior. Pensemos: gostamos mesmo de ver o nosso concerto através de uma floresta confusa de braços e ecrãs que nos tapam a visão? Dos flashes que nos atingem com cada selfie e de aparecermos no Facebook de completos desconhecidos? Das raparigas prendadas às cavalitas dos namorados e que nos tapam a visão para tentarem aparecer na próxima panorâmica?

Provavelmente não gostamos. E se forem como eu, devem ter saudades dos tempos em que íamos ver o nosso cantor favorito pelo prazer da sua arte, não à procura de protagonismo com um selfie rápido.

As boas notícias é que talvez esses tempos voltem, pois ao ritmo que têm evoluído os comportamentos exagerados do público, cada vez mais artistas aderem à ideia de proibir pura e simplesmente a utilização de smartphones durante o espectáculo.

Será exagero ou mal necessário?

Videntes de Fátima: Voltas de Alegria Musical no Túmulo


Videntes de Fátima: Voltas de Alegria Musical no Túmulo
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Os videntes de Fátima são a inspiração da mais recente música de Arvo Pärt, o compositor estónio que vai dar um concerto na Sé de Lisboa em Fevereiro de 2015 durante a festa litúrgica dos beatos – conforme adianta o site Blitz.

Arvo Pärt é um dos mais consagrados compositores de música sacra e com fortes raízes na tradição gregoriana, depois de a expressão neoclássica ter marcado o início do seu percurso.

Compositor estónio Arvo Pärt criou uma peça musical dedicada aos videntes de Fátima, cujo concerto de estreia será durante a festa litúrgica dos beatos, na Sé de Lisboa, uma informação do santuário

videntes de Fátima“(…) Arvo Pärt surpreendeu e fez chegar ao santuário o manuscrito de uma composição musical, datada de 19 de maio de 2014, dedicada aos pastorinhos e intitulada Drei Hirtenkinder aus Fatima – Os Três Pastorinhos de Fátima”. Trata-se “de uma breve peça para coro misto a “cappella” composta” sobre um texto bíblico. Isto depois do compositor ter estado no templo de Fátima em 2012 a convite do Santuário no âmbito das comemorações do centenário dos acontecimentos de Fátima.

Terá sido, posteriormente, desafiado a apresentar um testemunho sobre a visita, para publicação na revista cultural Fátima XXI, o mais recente projecto editorial do Santuário de Fátima. E eis que surge a música inspirada nos videntes de Fátima.

A importância deste autor no panorama musical mundial é, de acordo com o produtor executivo da programação musical para o Centenário das Aparições, Manuel Lourenço Silva, imenso já que “integra aquilo a que se chama o “Holy Minimalism”, embora qualquer rótulo que se lhe queira atribuir pareça inexacto ou parcial tendo em conta o seu percurso evolutivo e a abrangência das suas obras”.

Trata-se uma música, esta inspirada nos videntes de Fátima, muito espiritual “Utilizando frequentemente a técnica tintinnabuli [pequenos sinos], formulada e nomeada pelo próprio Pärt, a sua música é marcada por uma profunda espiritualidade”.

Música inspirada nos videntes de Fátima é um acrescento à mensagem de Fátima

O responsável pela programação musical para o Centenário das Aparições refere ainda que a musica deste compositor, ium dos maiores de sempre, inspirada nos videntes de Fátima, é também uma forma de enriquecer a mensagem de Fátima. Ademais, conforme refere igualmente, “o título e o texto escolhidos para a composição musical que dedicou aos pastorinhos destacam a importância das vozes das crianças enquanto mensageiras”.

Falar um pouco mais deste compositor cuja música levada a concerto é inspirada nos videntes de Fátima é também referir que no início dos anos setenta começou a explorar a chamada técnica de “tintinnabuli” (ou de pequenos sinos), isto é, pequenas frases musicais ou “módulos” que sobrepõe ou contrapõe, em estruturas complexas, que ganham em transparência e hipnotismo. Deslumbrante.

“Tábula Rasa”, “Fratres”, “Missa Silábica”, “Kanon Pokajanen” e “Passio”, sobre o Evangelho segundo São João, contam-se entre as suas obras mais conhecidas. Podemos ouvi-las aqui.

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Fotografia e Música, a Paixão Assolapada de Bryan Adams


Fotografia e Música, a Paixão Assolapada de Bryan Adams
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A fotografia e música podem andar, e andam, ligadas:  prova disso é Bryan Adams que faz de ambas as artes uma paixão, querendo dizer com isto que não são, de todo, um passatempo. Esta é uma novidade partilhada pelo site Notícias ao Minuto.

Exposição fotográfica de Bryan Adams no Centro Cultural de Cascais mostra ao mundo a paixão em forma de fotografia e música

fotografia e músicaBryan Adams, que inaugurou recentemente uma exposição fotográfica no Centro Cultural de Cascais, é exemplo de entrega com paixão tanto à fotografia como à musica. Com o nome de “Exposed”, a exposição reúne retratos de personalidades do entretenimento, da cultura e da moda, entre as quais se encontram o treinador português José Mourinho e as fadistas Gisela João, Ana Moura, Aldina Duarte, Cuca Roseta e Carminho: a beleza portuguesa terá encantado o artista canadiano que refere “Não foi uma ideia minha. Foi a Vogue que as escolheu e apresentou-me a proposta e eu achei logo óptima ideia. São mulheres lindíssimas. Tentei captar algo especial e, além disso, queria algo que não fosse só internacional, mas também nacional”.

Nos últimos cinquenta anos Bryan Adams também nos encantou e encanto por encanto, nunca por menos, a reciprocidade e sempre por mais e nunca é demais, o canadiano da fotografia e da música andou a captar as almas por entre canções e melodias das personalidades da moda, do cinema e da música como Mick Jagger, Morrissey, Amy Winehouse, Ben Kingsley, Julianne Moore ou Kate Moss.

“Exposed” inclui ainda uma mostra fotográfica de soldados vítimas da guerra, querendo com isso fazer uma alusão à realidade: “Ambos os lados são o que acontece no mundo de hoje. São fotografias reais”. Ora nesta premissa também se enquadra a rainha Isabel II, captada apenas nos cinco minutos concebidos ao cantor para esse efeito. E reinou.

Preto e branco, nudez e pele são características que marcam a exposição de fotografia com música por dentro de Bryan Adams

Uns fotografados aparecem nus e outros vestidos – mas a preto e a branco como se a paixão fosse, e é, sendo colorida, fundamentalista. Esta é a minha versão. A dele é outra: “Gosto de pele, é isso”, sublinhando que as imagens a preto e branco, bem como as expressões captadas resultam do seu “instinto”.

Mas porquê uma exposição em Cascais? A inauguração da mistura de fotografia com música, e não só, foi apontada para Cascais pela afinidade do artista com esta terra – terra onde passou alguns anos da sua juventude: “Quando me lembro da minha juventude, as memórias que tenho são de Cascais. É um lugar muito bonito. Venho cá várias vezes com a minha família”.

Refira-se que a exposição surge na sequência do livro publicado por Bryan Adams em 2012 pela editora alemã Steidl – o seu primeiro livro de fotografia apesar de já fazer exposições de fotografia desde finais dos anos 1990 e assinar produções fotográficas de moda. Mas falemos do que também nos interessa: acabou mesmo agora de editar o álbum “Tracks of my years”, mais música de versões para os nossos ouvidos: “Lay lady lay”, de Bob Dylan, ou “Any time at all”, dos Beatles – às quais se junta o inédito “She knows me”.

O trabalho fotográfico de Bryan Adams pode ser apreciado integralmente neste site.

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Lisboa a Brilhar Mais com Vera World Fine Art Festival


Lisboa a Brilhar Mais com Vera World Fine Art Festival
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O Vera World Fine Art Festival, arte que vai desde a pintura a óleo aos quadros que brilham sob a luz negra a óleo aos quadros que brilham sob a luz negra, está presente em Lisboa para ser bebido. Esta é uma informação adiantada por aquele que foi considerado o melhor site do ano: Observador.

Oitava edição escolheu Portugal para a sua primeira internacionalização: Vera World Fine Art Festival

Vera World Fine Art FestivalSão 3.750 metros quadrados da Cordoaria Nacional carregados de arte que até ao dia 21 de Setembro oferecem pintura, escultura, fotografia, artes gráficas, museologia e artes aplicadas – uma arte passível de ser apreciada e comprada. É escolher por entre os cerca de 80 artistas portugueses e estrangeiros. Obras como as de Luís Noronha da Costa, que leva ao festival VERA peças desde os anos 70 até à actualidade, entre as quais pinturas a óleo sobre tela, estão expostas e a aguardar visitas.

A escolha de Portugal para a primeira internacionalização, nesta oitava edição, deve-se à proximidade de Andrey Kiselev com Portugal, já que o presidente da WWB faz por cá grandes negócios e no ano passado concorreu à subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

Com um preço simbólico de seis euros o Vera World Fine Art Festival tem um programa complementar, um verdadeiro miminho, para além da vertente de exposição e venda, programa que inclui palestras, conferências, masterclasses e mesas-redondas. Trata-se de “um evento cultural de grande importância para Lisboa”, por não se destinar apenas a entendidos em arte contemporânea: todos os cidadãos podem, e devem, participar. 

Portugal, Bielorrussía e Azerbaijão com força no Vera World Fine Art Festival

Directamente da Bielorrússia até Lisboa, para a sua estreia no festival, chegou a artista Anna Karan. E não chegou por cunha mas porque se candidatou: para além de vender os seus quadros de paisagens cheias de cor, ou eventualmente ser distinguida pelo júri, chegou para “encontrar pessoas simpáticas, ver boa arte e ganhar visibilidade”.

Sandra Baía não ficou de fora e pode ser apreciada na sua arte em um dos stands que mais se distingue entre os 3.750 metros quadrados da Cordoaria Nacional. Conforme explica a pintora autodidacta, “Não sou muito adepta da coerência no meu trabalho e trouxe ao VERA uma coisa mais pop”.

Há, no entanto, um espaço que se distingue mais do que todos os outros – já que todos os quadros brilham sob a luz negra: trata-se de Alakbarov Farid Kamal, artista do Azerbaijão que usa uma tinta especial que é invisível à luz do dia. “Chamo-lhe pintura de néon e é uma tendência que só tem 10 anos”, referiu o artista tem de pintar sob lâmpadas ultravioleta para ver o que está a fazer – uma espécie de magia.

Mais informação sobre o Vera World Fine Art Festival e respectiva atribuição de prémios poderá ser acedida neste site.

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Sombreira. Suspiradora. Assim é Esta Música Electrónica


Sombreira. Suspiradora. Assim é Esta Música Electrónica
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A solo e com música electrónica(re)nasce Bradley Hale ou, melhor, Sombear. Bradley Hale é o baterista dos Now, Now, uma banda oriunda de Mineapolis, que decidiu finalmente lançar-se a solo como Sombear. E o resultado está bem à vista – ou em pé de orelha: “Love You in the Dark” é o álbum de estreia carregado de sombras interessantes. Nada de escuridão assustadora nesta música electrónica, garanto.

O artista diz que é um disco sombrio e introspectivo de música electrónica mas eu chamo-lhe de sombreiro e suspirador

Sombreiro e inspirador, sim, de outra forma como poderia ser, ao mesmo tempo, leve e dançável? A descoberta de uma voz por detrás de baterias é para ser mostrada porque reveladora de excelente manipulação do som quando este desliza bem organizado no tempo.

Bradley Hale refere tratar-se de um disco sombrio e introspectivo mas, no entanto, puro electro-pop dançável. Em voz de rectaguarda nos Now, Now, o artista coloca agora o seu tom falsete na dianteira em um tom equilibradíssimo que se frui com uma facilidade gostosa. E entenda-se facilidade como simplicidade e arejo.

Parece-me excelente dizer que este trabalho de música electrónica a solo foi realizado com a mesma tranquilidade, ingenuidade e diversão do Winnie the Pooh quando olha para o frasco de mel vazio, ou seja, despojado dos corredores de testosterona que – digo eu – caracterizam o desejo irracional. É, sem dúvida, e depois de ouvir o álbum na totalidade, uma espécie de samba tranquilo aplicado ao género electro-pop por se avistar uma paixão escaldante porém serena por se querer doce e sem a amargura resultante da mera pulsão. Excelente.

Porque música electrónica, contrariamente ao que se tem vindo a dizer por aí, também é música. E da boa.

Já vem de longe a validade do electro enquanto música, a polémica terá nascido em finais da década de setenta e apimentou-se na década seguinte – altura em que terão surgido inúmeros boicotes à música sintetizada. Esta polémica assenta, ou assentava, na organização do processo até ao produto final, isto é, não estará em causa a forma como se produz o som mas como este é organizado já que dispensa a mão humana através de acessórios como módulos sequenciadores e filtros moduladores dos sintetizadores.

Não tardou a que a verdade, a única, viesse a lume: os sintetizadores vieram acrescentar à música apenas uma novidade – a da programação, isto é, uma pré-configuração ao longo do tempo que permitia, igualmente, controlar uma enorme variedade de sons e de efeitos incompatível – e inatingível – apenas com a mão humana pelos instrumentos convencionais. Tratava-se, bem visto, da introdução do algoritmo matemático na música, cáspite!

Ora isto remete-nos – assim como foi remetendo, ao longo do tempo, as mentes mais fechadas – para a fonte da Leonor, a formosa e segura, a nascente criativa que nunca deixou de ser o Homem. E mesmo com os – talvez – paradoxos – não sei bem -, do sampling e da discotecagem há, sem dúvida, música por dentro e por fora da música electrónica. Comprovem.